Composto de cartas e diários de viagem, esse clássico mostra o encantamento de Johann Wolgang von Goethe (1749-1832) pela terra italiana, experiência que o transformou profundamente. O poeta chegou à Itália em 1786 e, cerca de três meses depois, escreveu a um amigo: "Pareço a mim mesmo uma pessoa totalmente diferente. Ontem pensei comigo: 'Ou você era louco antes ou tornou-se agora' ". De coração aberto, o viajante acolhe tudo o que vê e sente: a cor e o aroma das frutas, o rosto de homens e mulheres, o burburinho das ruas, as obras da Antiguidade, a arquitetura renascentista. Em Viagem à Itália estão presentes a atualidade, a beleza e a alegria que os grandes poetas conseguem imprimir às suas obras.
"Quando a primeira gôndola chegou ao navio (elas vêm para levar rapidamente à cidade os passageiros que estão com pressa), lembrei-me de um brinquedo da minha infância, esquecido já, talvez, havia uns vinte anos. Meu trouxera de sua viagem um lindo modelo de gôndola; tinha-lhe grande estima, e a permissão para que brincasse com ele constituía grande honra. O reluzir das primeiras proas de chapa de ferro, as gaiolas negras das gôndolas, tudo saudou-me com a um velho conhecido, e eu desfrutei de uma amável sensação de juventude, ausente havia tanto tempo."J.W. Goethe
GOETHE, J.W. Viagem à Itália 1786-1788. Tradução Sérgio Tellaroli. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

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