sábado, 14 de maio de 2016

O Livro de Cozinha de Alice B. Toklas

Como não podia mais escrever sua autobiografia, pois esta já havia sido escrita por Gertrude Stein, Alice B. Toklas (1877-1967), secretária, governanta e amante da escritora durante 38 anos, inventou um jeito - no mínimo mais saboroso - de contar sua vida na França - um livro de culinária. Com uma diferença - suas receitas recolhidas das fontes mais disparatadas, inclusive de amigos ilustres como Francis Picabia, foram testadas (e aprovadas com água na boca) por Picasso, Thornton Wilder e outras celebridades do mundo intelectual que frequentavam a casa das duas americanas mais badaladas de Paris nas primeiras décadas deste século.


"Seis pombos brancos para serem asfixiados, para serem depenados, para serem limpos, e tudo isso tinha que ser feito antes que Gertrude Stein voltasse, pois ela não gostava de ver o trabalho sendo feito. Se pelo menos eu tivesse coragem, as duas horas antes de sua volta seriam mais que suficientes. Uma xícara grande de café forte ajudaria. Isso foi antes que uma adorável brasileira me contasse que, no país dela, servia-se sempre uma xícara grande de café preto antes de se ir para a cama, para garantir uma boa noite de sono. Como ainda não sabia disso, o café me despertou e me deu coragem. Cuidadosamente achei o ponto que eu deveria apertar no pobre e inocente pombo, e apertei."
A.B. Toklas

TOKLAS, Alice B. O Livro de Cozinha de Alice B. Toklas. Tradução: Helena Londres. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

Título original: The Alice B Toklas Cook Book
Publicação: Harpers & Brothers, 1954

O Universo numa Casca de Noz

O renomado matemático, astrofísico e professor inglês Stephen Hawking proporciona ao leitor um contato com o universo das conjecturas da física moderna de uma maneira em que um leigo consiga extrair um pouco das principais ideias por outros há muito ou recentemente propostas, bem como as estudadas atualmente pelo próprio Hawking. Bem guarnecido de ilustrações, o livro guia o leitor através do microcosmo quântico e do macrocosmo universal, discutindo as extraordinárias leis que regem o cosmos e as principais teorias hoje debatidas - contando inclusive a saga de Hawking e dos físicos mais importantes de todos os tempos atrás do grande objetivo da ciência: a Teoria de Tudo. Para isso, são apresentados conceitos caros à física teórica, como a supergravidade, a teoria quântica, a teoria-M, a holografia e a dualidade. Também são abordadas as propostas mais relevantes que desafiam o nosso entendimento atual de como funciona o universo. Com astronautas engolidos por buracos negros, viajantes do tempo, o debate sobre a origem do universo (e de todos nós), seu possível fim e a existência de vida em outras galáxias, além de curiosos questionamentos sobre o futuro biológico e tecnológico da humanidade em si, O universo numa casca de noz é leitura obrigatória para aqueles que querem se aventurar no que há de mais instigante hoje na física e para os que almejam ver como muitas vezes a teoria pode ser muito mais extraordinária do que a ficção científica.





"De certo modo, a raça humana precisa melhorar suas qualidades mentais e físicas para lidar com o mundo cada vez mais complexo à sua volta e enfrentar novos desafios, como as viagens espaciais. Os seres humanos também precisam aumentar sua complexidade para que os sistemas biológicos se mantenham sempre à frente dos eletrônicos. No momento, os computadores têm a vantagem da velocidade, mas não mostram sinal de inteligência. Isso não surpreende, já que nossos computadores atuais são menos complexos do que o 'cérebro' de um minhoca - uma espécie que não se destaca pelos seus dotes intelectuais."
S. Hawking

HAWKING, Stephen. O Universo numa Casca de Noz. Teradução: Igor Korytowski. São Paulo: Mandarim, 2001.

Título original: The Universe in a Nutshell
Publicação: Bantam Spectra, 2001

Viagem à Itália 1786-1788

Composto de cartas e diários de viagem, esse clássico mostra o encantamento de Johann Wolgang von Goethe (1749-1832) pela terra italiana, experiência que o transformou profundamente. O poeta chegou à Itália em 1786 e, cerca de três meses depois, escreveu a um amigo: "Pareço a mim mesmo uma pessoa totalmente diferente. Ontem pensei comigo: 'Ou você era louco antes ou tornou-se agora' ". De coração aberto, o viajante acolhe tudo o que vê e sente: a cor e o aroma das frutas, o rosto de homens e mulheres, o burburinho das ruas, as obras da Antiguidade, a arquitetura renascentista. Em Viagem à Itália estão presentes a atualidade, a beleza e a alegria que os grandes poetas conseguem imprimir às suas obras.


"Quando a primeira gôndola chegou ao navio (elas vêm para levar rapidamente à cidade os passageiros que estão com pressa), lembrei-me de um brinquedo da minha infância, esquecido já, talvez, havia uns vinte anos. Meu trouxera de sua viagem um lindo modelo de gôndola; tinha-lhe grande estima, e a permissão para que brincasse com ele constituía grande honra. O reluzir das primeiras proas de chapa de ferro, as gaiolas negras das gôndolas, tudo saudou-me com a um velho conhecido, e eu desfrutei de uma amável sensação de juventude, ausente havia tanto tempo." 
J.W. Goethe

GOETHE, J.W. Viagem à Itália 1786-1788. Tradução Sérgio Tellaroli. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

Sete Anos no Tibet

Sete anos no Tibet, do autor, geógrafo e alpinista austríaco Heinrich Harrer (1912-2006), é o mais célebre e mais completo documento sobre a vida no Tibet, às vésperas da última invasão chinesa de 1950. O livro trata em detalhes também da formação do 14º. Dalai Lama, dirigente máximo espiritual e político do povo tibetano. Precioso documento sobre a vida no Tibet e nas montanhas do Himalaia, este livro foi traduzido para dezenas de línguas, sendo adaptado com sucesso para o cinema - filme de 1997 dirigido por Jean-Jacques Annaud, com o ator americano Brad Pitt vivendo o papel do autor.


Preâmbulo escrito pelo Dalai Lama em Sete anos no Tibet:
O Prof. Heinrich Harrer é um dos ocidentais que conhecem intimamente o Tibet. Seu livro está sendo lançado numa época em que há muitas concepções errôneas sobre a vida e a cultura do Tibet – e a maioria dos livros disponíveis não ajuda a dissipar esses equívocos.
Sendo forçado a vir ao Tibet por infelizes circunstâncias, ele decidiu viver com o nosso povo e compartilhar sua forma de vida simples, fazendo muitos amigos e sendo considerado com muita afeição.
Fico feliz que seu livro Sete Anos no Tibet, que fornece um quadro vívido e verdadeiro do Tibet antes
de 1959, esteja sendo relançado quando há um renovado interesse pelo Tibet.
O DALAI LAMA
29 de janeiro de 1982


HARRER, Heinrich. Sete Anos no Tibet. Tradução: Bettini Gertum Becker. Porto Alegre: L&PM, 1999.

Título original: Sieben Jahre in Tibet
Primeira publicação: 1953

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Minha querida Sputnik

Minha querida Sputnik é uma história de amor e mistério. A solidão e a fragilidade dos relacionamentos são protagonistas neste romance sedutor, em que Haruki Murakami constrói um triângulo amoroso poucas vezes visto na literatura.
Meias que não combinam, cabelos despenteados, roupas compradas em brechós: Sumire queria ser como um personagem do escritor Jack Kerouac. E, aos 22 anos,  concentra todos os seus esforços em se tornar uma romancista.
Embora nunca tenha se apaixonado, ela está prestes a conhecer Miu, empresária bem sucedida, 17 anos mais velha e casada, que a atingirá "como um verdadeiro tornado que varre planícies".
Quem narra a história é K., um jovem professor primário que gostaria de dedicar todo o seu tempo a Sumire e de fazer tudo por ela, se o seu amor fosse correspondido. Mas ela tem olhos apenas para Miu. Convidada a ser sua secretária particular, a menina troca as roupas de ocasião por trajes elegantes, abandona os livros por planilhas e a segue em viagens de negócios. Mas, em férias nas ilhas gregas, a jovem Sumire cairá numa cilada, e apenas K., poderá salvá-la.


"Quando Miu olhou disfarçadamente para o pai de Sumire, ficou sem fala. Sumire ouviu sua inalaçao. Como o som de uma cortina de veludo aberta em uma manhã tranquila, para deixar a luz do sol desperta alguém muito especial. Talvez eu devesse ter trazido binóculos, refletiu. Mas estava acostumada  com a reação dramática que a aparência de seu pai provocava nas pessoas - especialmente em mulheres de meia-idade. O que é a beleza? Que valor tem? Sumire sempre achou isso estranho. Mas ninguém nunca lhe respondeu. Provocava sempre esse mesmo efeito, imutável.
- Como é ter um pai tão bonito? - perguntou Miu
- Só por curiosidade.
Sumire deu um suspiro. As pessoas eram tão previsíveis."

MURAKAMI, Haruki. Minha querida Sputnik. Tradução: Ana Luiza Dantas Borges.Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.

Drácula

Um dos livros mais subestimados que conheço, Drácula, do irlandês Bram Stoker, é na verdade um tesouro da literatura mundial. Escrito em 1897 em forma de romance epistolar, ou seja, escrito no formato de cartas e trechos de diários, tem como personagem principal o Conde Drácula. É o clássico que deu origem a inúmeras peças e filmes, tornando popular a figura do vampiro, personagem folclórico de lendas principalmente do leste da Europa que floresceram no século XIX, apesar de terem sido registradas em culturas diversas e desde tempos remotos.



"3 de maio, Bistritz1 — Saí de Munique às 20h35 do dia 1o de maio, chegando a Viena na manhã seguinte, bem cedo; deveria chegar às 6h46, mas o trem atrasou uma hora. Budapeste parece um lugar magnífico, a julgar pelo rápido vislumbre que as janelas do vagão me proporcionaram — e pela breve caminhada que consegui dar ao longo de suas ruas. Evitei me afastar muito da estação, pois tínhamos chegado tarde e devíamos partir assim que possível. Tive a impressão de que saíamos do Ocidente para entrar no Oriente: sobre o Danúbio — que, neste ponto, é de imponente largura e profundidade —, uma ponte esplendorosa, com a mais ocidental das aparências, conduziu-nos àquele outro mundo onde ainda pulsam as tradições do domínio turco."       B.Stoker

Edição da foto:

STOKER, Bram. Dracula. New York: Barnes & Noble, 2011.


Em língua portuguesa:



STOKER, Bram. Drácula. Tradução de José Francisco Botelho. São Paulo : Penguin Classics Companhia das Letras, 2014.

A História da Arte

Ernst Gombrich (1909-2001) publicou pela primeira vez em 1950 um dos livros mais lidos até hoje por estudantes de história da arte ao redor do mundo. 
É um livro que busca introduzir o leitor ao mundo da arte, apresentando desde as pinturas rupestres da pré-história até a arte experimental contemporânea. O desenvolvimento da pintura e da escultura é tratado tendo como pano de fundo os sucessivos estilos de arquitetura. No livro, o autor descreve seu objetivo como sendo o de trazer alguma ordem compreensível à riqueza de nomes, períodos e estilos que preenchem as páginas. Usa a sua percepção da psicologia das artes visuais a fim de fazer o leitor ver a história da arte como uma tela contínua e uma mudança de tradições, em que cada obra reflete o passado e aponta para o futuro.



"Nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas. Outrora, eram homens que apanhavam um punhado de terra colorida e com ela modelavam toscamente as formas de um bisão na parede de uma caverna; hoje, alguns compram suas tintas e desenham cartazes para tapumes; eles faziam e fazem muitas outras coisas. Não prejudica ninguém dar o nome de arte a todas as atividades, desde que se conserve em mente que tal palavra pode significar coisas muito diversas, em tempos e lugares diferentes, e que a Arte com A maiúsculo não existe. Na verdade, arte com A maiúsculo passou a ser algo como um bicho-papão, como um fetiche."     E.H. Gombrich

GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Tradução: Ávaro Cabral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1993.

Livros e Arte

Claudia Ricci 
biblioteca cor, 2015
Livros e Arte

O Último Lugar na Terra – A competição entre Scott e Amundsen pela conquista do pólo sul

Em 17 de janeiro de 1912, depois de enfrentar durante mais de um ano as intempéries antárticas, o oficial da Marinha britânica Robert Falcon Scott chegou ao Pólo Sul e constatou que o norueguês Roald Amundsen, com menos homens e recursos econômicos, havia estado ali um mês antes, tornando-se o primeiro a pisar "o último lugar da Terra". Famintos, atacados pelo escorbuto e exauridos pelo esforço de arrastar sua própria carga - enquanto os trenós de Amundsen eram puxados por cães -, Scott e seus homens morreram no caminho de volta e foram transformados em mártires do espírito heróico britânico.
Para mostrar que o triunfo de Amundsen não foi um acaso, Roland Huntford reconstitui a história da exploração polar desde seus primórdios e descreve em detalhe as duas expedições rivais. Acaba por desmontar corajosamente o mito de Scott como mártir do heroísmo britânico, revelando suas fraquezas como líder e a incompetência que marcou seu empreendimento.
Com base em vasta pesquisa histórica, O último lugar da Terra recria passo a passo as jornadas paralelas de Amundsen e Scott, sem perder de vista, em nenhum momento, a dimensão trágica e humana dos acontecimentos.
Além de trazer ao leitor fatos históricos para narrar grandes aventuras, esse livro é indispensável a quem busca aprender sobre empreendimento, liderança, gerenciamento de recursos e gerenciamento de crises. 


"Nas expedições polares, como na maioria dos grupos muito fechados,  existe geralmente um processo de seleção de um líder natural ou psicológico.  É um conflito semelhante à luta  pela supremacia no interior de uma alcateia de lobos ou de uma matilha de cães. um desafio mais ou menos aberto à liderança formal estabelecida. Como ele lida com essa ameaça à sua autoridade é um dos testes a que muitos comandantes têm de se submeter, e de seu resultado depende a coesão do grupo. Amundsen, por sua solidez moral e pela força de sua personalidade,  detinha tanto a liderança psicológica como a formal no Gjøa. No Discovery, Scott foi considerado insuficiente e Shackleton tornou-se o líder psicológico."

HUNTFORD, Roland. O Último Lugar na Terra – A competição entre Scott e Amundsen pela conquista do pólo sul. Tradução: José Geraldo Couto. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

Título original: The Last Place on Earth

A Câmara Clara

Roland Barthes (1915-1980) estabelece neste último livro publicado antes de sua morte uma correlação entre dois processos óticos de reprodução da imagem, a câmara clara, em que a imagem é copiada pela mão do homem, e a câmara escura, em que ela é reproduzida mecanicamente sem a interferência humana. E o faz para mostrar que sem a intervenção pessoal, subjetiva, do observador, que pode ver nela muito mais do que o registro realista, ou a mensagem codificada, a fotografia ficaria limitada ao registro documental.



"Ver-se a si mesmo (e não em um espelho): na escala da História, esse ato é recente, na medida em que o retrato, pintado, desenhado ou miniaturizado, era, até a difusão da Fotografia, um bem restrito, destinado, de resto,  a apregoar uma situação financeira e social - de qualquer maneira, um retrato pintado, por mais semelhante que seja (é o que procuro provar), não é uma fotografia. " R. B.

BARTHES, Roland. A Câmara Clara - nota sobre a fotografia. Tradução: Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Título original: La Chambre Claire
Primeira edição: Paris: Seuil, 1980

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A Louca da Casa

Rosa Montero, escritora e colunista exclusiva do jornal espanhol El País, propõe aos leitores um jogo narrativo cheio de reviravoltas. Mistura de romance, ensaio e autobiografia, nele se confundem literatura e vida, como num baú mágico cheio de surpresas. 
E assim descobrimos que o grande Goethe adulava os poderosos até chegar ao ridículo, que Tolstói era um energúmeno, e que a própria Rosa, aos 23 anos, manteve um excêntrico e hilário romance com um ator famoso. Mas não devemos confiar em tudo oque a autora conta sobre si mesma: as lembranças nem sempre são o que parecem.
Um livro sobre a fantasia e os sonhos, sobre a loucura e a paixão, sobre os medos e as dúvidas dos escritores e leitores.


"A realidade é sempre assim: paradoxal, incompleta, descuidada. Por isso o gênero literário que eu prefiro é o romance, que é o que melhor se adapta à matéria estilhaçada da vida. A poesia aspira à perfeição; o ensaio, à exatidão; o drama, à ordem estrutural. O romance é o único territória literário em que reinam a mesma imprecisão e falta de limites que reinam na existência humana. É um gênero sujo, híbrido, agitado. " R. M.

MONTERO, Rosa. A Louca da Casa. Tradução Paulina Wacht, Ari Roitman. Rio de Janeiro: Ediouro, 2009.

Título original: La loca de la casa

A Voz e o Tempo: Reflexões para Jovens Terapeutas


O livro condensa trinta anos de experiência do autor como analista junguiano, mas não discute teorias nem constitui um manual prático de psicoterapia. Em vez disso, Roberto Gambini dá subsídios para que esses profissionais enfrentem sem medo a matéria-prima de sua atividade: a dor do outro. - Prêmio Jabuti de Psicologia e Psicanálise 2009
"A voz e o tempo: o que o tempo fez com minha voz, minha expressão? No decorrer dos últimos trinta anos, durante os quais me dediquei ao ofício da psicoterapia, acumularam-se em algum ponto do trajeto que leva das entranhas à mente, passando pelo coração, camadas sobre camadas de sentimentos, observações, pensamentos, aprendizados, experimentos, descobertas, questionamentos, formulações, tomadas de posição. O tempo operou sobre essa estratigrafia de impressões e acabou revelando seu poder de moldar toda essa massa plástica sutil e transformá-la em palavra pronunciada, que agora apresento como texto dedicado a jovens terapeutas em busca de seus caminhos e de suas verdades." R.G.
GAMBINI, Roberto. A Voz e o Tempo: Reflexões para Jovens Terapeutas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2008.

Sobre o Autor: Roberto Gambini, terapeuta junguiano há trinta anos, conferencista e ensaísta, formou-se em Ciências Sociais pela USP na década de 60, fez Mestrado em Ciências Sociais na Universidade de Chicago e após lecionar Ciência Política na Unicamp, nos anos 70, partiu para uma formação em Psicologia Analítica no Instituto Carl Gustav Jung de Zurique. É membro da Sociedade Suíça e da Sociedade Internacional de Psicologia Analítica. Sua grande preocupação intelectual tem sido fazer confluir a psicologia junguiana e as ciências sociais. É Autor dos livros O Duplo Jogo de Getúlio Vargas, Outros 500. Uma Conversa sobre a Alma Brasileira (entrevistado por Lucy Dias), Espelho Índio – A Formação da Alma Brasileira, entre outros.

Uma Arte - as cartas de Elizabeth Bishop

Elizabeth Bishop (1911-1979), apesar de ter publicado pouco, é cada vez mais reconhecida como um dos maiores nomes da poesia norte-americana deste século. Quinze anos após sua morte, com a publicação de uma parte de sua volumosa correspondência, um novo aspecto de seu gênio vem à tona: Bishop é mestre na arte de escrever cartas. Dentre milhares de cartas escritas ao longo de 50 anos, foram selecionadas pouco mais de 500 que nos levam além da sofisticação formal e timidez da autora, mostrando todo o seu talento para cultivar amizades, sua curiosidade pelos detalhes e pela aventura, ingredientes que tornam a leitura altamente prazerosa e rica. Foi no Brasil, onde Bishop viveu cerca de vinte anos - a maior parte deles com sua companheira, Lota de Macedo Soares, amiga e colaboradora de Carlos Lacerda - que foram escritas muitas dessas cartas. Textos de alto valor literário e documentos autobiográficos preciosos, elas também nos revelam o Brasil dos anos 50 aos 70 visto por um olhar arguto e implacável.
"Através do olhar da poeta, distanciado e crítico, porém curioso e interessado, o Brasil aparece como um país semi-civilizado, povoado de intelectuais iletrados e políticos incompetentes, mas também uma terra 'onde a gente se sente de algum modo mais perto da verdadeira vida'."                Paulo Henriques Britto (tradutor)


 

Nas imagens:

BISHOP, Elizabeth. Uma Arte: as cartas de Elizabeth Bishop. Tradução: Paulo Henriques Britto. 
São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

_______________. One Art: Lettters. Nova York: Farrar, Straus and Giroux, 1995.

A Estruturas Antropológicas do Imaginário

Ao destrinchar o funcionamento do imaginário, Gilbert Durand  (1921-2012) nos introduz a questões do estruturalismo, mas, ao contrário do formalismo de Lévi-Strauss, leva-nos pelos caminhos de Jung, Piaget e Bachelard, convidando-nos a pensar nas estruturas do imaginário como conteúdos dinâmicos, ou seja, apresenta-nos um meio mais natural para compreender as bases simbólicas do pensamento.

Formidável instrumento de conhecimento, ou de poder, essa obra é obrigatória para quem quer entender como o domínio da linguagem simbólica para além do domínio da linguagem falada e escrita pode funcionar como ferramenta de criação nos mais diversos campos e visando atingir um determinado objetivo frente ao elemento humano.


Na imagem:
DURAND, Gilbert. As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Lisboa: Editorial Presença, 1989.

Título original: Les Structures Anthropologiques de l'Imaginaire
Primeira edição: Paris: Dunod, 1960