sexta-feira, 13 de maio de 2016

Minha querida Sputnik

Minha querida Sputnik é uma história de amor e mistério. A solidão e a fragilidade dos relacionamentos são protagonistas neste romance sedutor, em que Haruki Murakami constrói um triângulo amoroso poucas vezes visto na literatura.
Meias que não combinam, cabelos despenteados, roupas compradas em brechós: Sumire queria ser como um personagem do escritor Jack Kerouac. E, aos 22 anos,  concentra todos os seus esforços em se tornar uma romancista.
Embora nunca tenha se apaixonado, ela está prestes a conhecer Miu, empresária bem sucedida, 17 anos mais velha e casada, que a atingirá "como um verdadeiro tornado que varre planícies".
Quem narra a história é K., um jovem professor primário que gostaria de dedicar todo o seu tempo a Sumire e de fazer tudo por ela, se o seu amor fosse correspondido. Mas ela tem olhos apenas para Miu. Convidada a ser sua secretária particular, a menina troca as roupas de ocasião por trajes elegantes, abandona os livros por planilhas e a segue em viagens de negócios. Mas, em férias nas ilhas gregas, a jovem Sumire cairá numa cilada, e apenas K., poderá salvá-la.


"Quando Miu olhou disfarçadamente para o pai de Sumire, ficou sem fala. Sumire ouviu sua inalaçao. Como o som de uma cortina de veludo aberta em uma manhã tranquila, para deixar a luz do sol desperta alguém muito especial. Talvez eu devesse ter trazido binóculos, refletiu. Mas estava acostumada  com a reação dramática que a aparência de seu pai provocava nas pessoas - especialmente em mulheres de meia-idade. O que é a beleza? Que valor tem? Sumire sempre achou isso estranho. Mas ninguém nunca lhe respondeu. Provocava sempre esse mesmo efeito, imutável.
- Como é ter um pai tão bonito? - perguntou Miu
- Só por curiosidade.
Sumire deu um suspiro. As pessoas eram tão previsíveis."

MURAKAMI, Haruki. Minha querida Sputnik. Tradução: Ana Luiza Dantas Borges.Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.

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