sexta-feira, 13 de maio de 2016

A Câmara Clara

Roland Barthes (1915-1980) estabelece neste último livro publicado antes de sua morte uma correlação entre dois processos óticos de reprodução da imagem, a câmara clara, em que a imagem é copiada pela mão do homem, e a câmara escura, em que ela é reproduzida mecanicamente sem a interferência humana. E o faz para mostrar que sem a intervenção pessoal, subjetiva, do observador, que pode ver nela muito mais do que o registro realista, ou a mensagem codificada, a fotografia ficaria limitada ao registro documental.



"Ver-se a si mesmo (e não em um espelho): na escala da História, esse ato é recente, na medida em que o retrato, pintado, desenhado ou miniaturizado, era, até a difusão da Fotografia, um bem restrito, destinado, de resto,  a apregoar uma situação financeira e social - de qualquer maneira, um retrato pintado, por mais semelhante que seja (é o que procuro provar), não é uma fotografia. " R. B.

BARTHES, Roland. A Câmara Clara - nota sobre a fotografia. Tradução: Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Título original: La Chambre Claire
Primeira edição: Paris: Seuil, 1980

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